Há um certo tempo venho, vagarosamente, lendo (e ouvindo) o livro 1001 Discos para ouvir antes de morrer, editado por Robert Dimery e organizado por um dos fundadores da Rolling Stone Michael Lyndon, reúne resenhas de 90 críticos musicais sobre discos de 1955 até 2005.
Como toda lista (de filme, livro, música e afins) deve ser, ao longo dos 1001 discos selecionados muitas injustiças são feitas, várias pérolas são indicadas com a devida atenção, mas cumpre a função mais importante das listas: estimular a discussão entre admiradores, além de apresentar trabalhos desconhecidos para algumas pessoas.
Dos 1001 discos não passei nem da primeira centena, mas mesmo assim devo dizer que o livro é um bom guia para quem gosta de música, independente de uns discos nem tão relevantes estarem na lista. Então, seguindo a proposta da discussão, apontarei ocasionalmente os meus preferidos que vi (e ouvi) ao longo da lista.
A lista (em ordem cronológica) começa com In the wee small hours de Frank Sinatra, lançado em 1955 em formato long play (uma novidade no mercado até então) e é uma fantástica trilha sonora sobre pé na bunda. De acordo com a fofoca da época, a amargura do fim do relacionamento com a atriz Ava Gardner (55 dias em Pequim) foi a inspiração do cantor para o lançamento do álbum conceitual.
O disco começa com notas suaves de piano e cordas, dando espaço para a voz melancólica de Frank Sinatra que nunca mais contará carneirinhos de tanto pensar na garota que foi embora. E o disco segue com uma orquestra tristonha, como se tentasse consolar o cantor.
In the wee small hours é recomendado para expulsar da memória aquela imagem batida do cantor de New York, New York e em casos de depressão deve ser degustado com cautela. Um disco lindo para dias calmos e preguiçosos.






4 Comentários
15 Outubro, 2008 às 9:02 am
Bem… como sempre, sempre são interessantes suas dicas. Como você disse listas nem sempre incluem ou excluem o que queremos, e olha, sei bem como é difícil concordamos plenamente com uma do início ao fim e sempre pensamos: “qual critério foi utilizado para essa lista ser feita?” – mas o importante é despertar a curiosidade, a discussão sobre “bom ou ruim” e melhor ainda trazer coisas desconhecidas para o público saber que elas existem também! E pode ter certeza, esse livro entrou para a minha LISTA de livros a serem lidos antes dos 30!
23 Outubro, 2008 às 4:34 pm
Curiosidade: há quanto tempo esta a ler “vagarosamente” o livro?
Se neste tempo ainda não passou nem da primeira centena, quanto tempo, em média, levará para ler todo o conteúdo?
A dúvida curiosa é: pela quantidade, 1001 discos, tenho a sensação que o livro foi feito para ler e ouvir as músicas até morrer. Pois quando conseguirmos terminar a leitura, com toda correria do dia-a-dia, já estaremos no fim da vida.
Então podemos dizer: 1001 discos, já posso morrer!
23 Outubro, 2008 às 9:42 pm
Eudes,
Valeu pela visita e por finalmente comentar. Que bom que gosta do blog.
Rafael,
Olha… a leitura é vagarosa mesmo: sem pressa. Lendo um detalhe no livro, ouvindo o disco.
Às vezes um disco nem é tão bom então passo pro próximo. Mas alguns são tão deliciosos que fico semanas ouvindo e saboreando.
São muitos discos, é verdade. Mas o objetivo não é conhecer todos de uma vez.
E vai que a leitura total resulta numa bizarra maldição, né?! Melhor não hehe.
23 Novembro, 2008 às 12:49 pm
[...] for Swingin’ Lovers! Ir aos comentários Se no disco anterior Frank Sinatra cantava melancolicamente as dores do fim de um relacionamento, em Songs For [...]