Lágrimas, glitter e testosterona

cabaret01 Glam rock brasileiro pode ser uma referência capciosa ao, instintivamente, fazer ligações aos andróginos Secos & Molhados. Na verdade, para saciar aqueles que não vivem sem uma comparação, poderíamos associar a performática banda carioca Cabaret aos Scissor Sisters, com uma dose extra de masculinidade, no melhor estilo metrossexual da coisa, já que a banda define-se como “os últimos heterossexuais sensíveis”. Hajam culhões!

Purpurinas à parte, o quarteto do Cabaret lançou no segundo semestre de 2006 seu primeiro álbum, Cabaret, que foi produzido no Estúdio Órbita, de Carlos Trilha (responsável em outros tempos por carreiras solos de Renato Russo, Marcelo Bonfá, Marisa Monte e Ana Carolina). Ótimas letras, riffs precisos e batidas marcantes são a fórmula para o vocalista Marvel entrelaçar, ao longo do disco, encenações que beiram o roteiro de uma pornochanchada.
cabaret02 Logo na primeira faixa, O palco não pode ser pouco, o refrão contagiante, acompanhado pela bateria pontual de Sid Licious, pode ficar durante horas ecoando na cabeça de alguns. Na seqüência, Messias pessoal traz Marvel com um timbre provocante, lembrando Chris Cornell, ao narrar o sexo casual sem a culpa de soar canalha: “Pode ser que nada disso/ nunca justifique o mal/ de fazer o amor um vício/ por milagre na horizontal”.
Rockstar Baby desperta o espírito de rock inconseqüente da banda, passando a bola para a divertida Copacabana full-time, que merece o destaque do trecho: “Uma hora, R$ 100 / Tão mulher que eu nem pude acreditar / No Leme, no Lido, no Arpoador / Copacabana sabe até falar de amor”, chegando à histeria máxima do disco na faixa Um cadáver no palco.
Para quem sentiu falta de melodias mais ternas, Dama da noite, Brilhar, O amor é a guerra e Tudo o que aprendi são as baladas do disco. cabaret03 A primeira, apoiada em deliciosos acordes de guitarra, versa sobre a figura da mulher decadente “debruçada sobre o bar”, enquanto Brilhar entoa as lamúrias de um errante, acompanhadas pela cozinha da banda em ebulição. O amor é a guerra merece o título de romantismo máximo do álbum, aquela típica balada para cantarolar no ouvido. Já em Tudo o que aprendi, para encerrar o disco, o romance menos inocente e mais sexual dá as caras, reafirmando o potencial cafajeste dos garotos maquiados.
Sexo, álcool, sangue, rock’n’roll e purpurina são esparramados na medida certa neste álbum de estréia, não caindo no ridículo que o rótulo glam pode provocar e garantindo a diversão necessária de um roque despojado. Sem perder o charme, claro.
Site oficial: Rádio Cabaret
Tramavirtual: Cabaret
(Texto originalmente publicado no PoppyCorn em 03 de janeiro de 2007)
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