John Waters – Parte 1

JohnWatersNascido em 22 de Abril de 1946 na cidade de Baltimore (EUA), o diretor de cinema John Waters, mesmo sem lançar um novo filme desde 2004, ainda merece o título de Rei do Trash pela filmografia que transborda o culto ao mau gosto. Mestre da comédia transgressora, Waters reunia em seus filmes os mais diversos tipos marginais da sociedade com uma naturalidade até exagerada. E essa mistura não ficava só na ficção, pois com um elenco regular – os Dreamlanders presente na maioria de seus filmes, reunia além de beatniks e hippies, a drag queen Divine, a herdeira, socialite e assaltante de banco Patty Hearst e a atriz pornô Traci Lords.

John Waters começou a aventurar-se atrás das câmeras em 1964 com o curta Hag in a Black Leather Jacket. Outros curtas produzidos e nunca lançados comercialmente são Roman Candles (de 1966), Eat Your Makeup (de 1968) e The Diane Linkletter Story (de 1969).

Adiante, continuarei mencionando cada longa-metragem (são 12 no total) e, para tanto, este texto tornará um especial dividido em vários posts.

MondoTrashoMondo Trasho (1969)

Filmado em P&B e praticamente sem falas, o filme de 95 min honra o baixíssimo orçamento de 2 mil dólares ao contar a história de uma garota (Mary Vivian Pearce) que após ser atacada prazerosamente em um parque por um podólatra, é atropelada por Divine, distraída pela presença de um homem nu pedindo carona na rodovia. Com a defunta em seu carro, Divine passa por várias situações nonsenses ao redor de Baltimore contando com aparições da Virgem Maria até chegar ao consultório do estranho médico que troca os pés da defunta por pés de galinha, ressuscitando a garota. A sequência inicial do filme não é recomendada para defensores dos animais: galinhas vivas se debatem ao serem decepadas com um machado.

Mondo Trasho nunca foi lançado comercialmente porque, segundo Waters, as músicas usadas ao longo do filme não foram legalmente autorizadas e seria financeiramente inviável pagar todo os direitos autorais ou reeditar o áudio. Tecnicamente o filme é bastante tosco, assim como a história. Vale assistir apenas pela curiosidade.

MultipleManiacsMultiple Maniacs (1970)

Lady Divine (Divine) lidera a trupe Cavalgada da Perversão, o show “mais sujo do mundo” montado em barracas num parque, para no fim das apresentações roubar os visitantes. Entediada por só roubar as pessoas, Lady Divine decide que também quer matá-las após as performances. Mais tarde, ao receber um telefonema avisando que seu marido Mr. David (David Lochary) encontrava outra mulher, Divine decide conferir a traição pessoalmente, mas no meio do caminho é estuprada por um barbudo de vestido e salto-alto. Em seguida, Divine recebe a aparição do Santo Menino de Praga que a guia até uma igreja onde acaba sendo seduzida por outra mulher, Mink (Mink Stole), resultando numa cena de sexo envolvendo um crucifixo e narração da Via Crucis.

Após sua primeira e bem sucedida experiência lesbiana, Lady Divine decide terminar com Mr. David sem saber que o mesmo planejava matá-la. No entanto, o plano de Mr. David sai do controle e resulta numa chacina, sobrevivendo apenas Lady Divine que, por fim, é novamente estuprada, mas desta vez por uma lagosta gigante.

Multiple Maniacs também filmado em P&B, tem falas e conta com 90 minutos de muita bizarrice, resultando num filme puramente tosco com momentos engraçados e insanos. As cenas finais com Divine correndo enlouquecida pelas ruas, com a boca espumando, é melhor do que qualquer hit de youtube.

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