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Nico – Chelsea Girl

ChelseaGirlLogo após o surgimento das primeiras músicas gravadas pela atriz Scarlett Johansson em sua carreira musical, minhas primeiras impressões foram: 1) Ela é melhor como atriz; 2) Isso parece um cover ruim da Nico. Claro que algumas músicas um pouquinho melhores da atriz surgiram em seguida, mas na minha cabeça a comparação com aquela que foi integrante do Velvet Underground permaneceu.

Da carreira de modelo, Nico (nascida Christa Päffgen) acabou ganhando papéis em alguns filmes, chegando a fazer participações em A Doce Vida de Federico Fellini e Chelsea Girls de Andy Warhol. A amizade com Warhol rendeu o convite para a então modelo/atriz soltar a voz num álbum solo, além da participação no Velvet Underground. Assim, pegando carona na participação no filme Chelsea Girls, em 1967 a cantora Nico surge com o álbum Chelsea Girl com faixas assinadas por Bob Dylan, Lou Reed, entre outros.

A voz grave, entonação e pronuncia típica de uma estrangeira (Nico era alemã) davam um toque esquisitão em músicas  suaves, embaladas por flauta, violoncelo, guitarra e órgão. A faixa de abertura, The Fairest of the Seasons – de uma beleza singular – assim como a faixa-título (ouça uma versão ao vivo) deixam claro o potencial da cantora. O disco só não é todo perfeito pela longa e entediante It Was a Pleasure Then que em 8 minutos abre mão da musicalidade para o experimentalismo.

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Bob Dylan – Highway 61 Revisited

Highway_61_RevisitedEm 1965 Bob Dylan já tinha o que se pode chamar de uma respeitável carreira musical: em três anos, já contabilizava 5 discos de sucesso; suas baladas folks renderam o rótulo de cantor de protesto; o estilo influenciava tantos outros artistas por várias gerações.

Mas foi com Highway 61 Revisited que o cantor folk pegou muita gente de surpresa ao mostrar que também era um ótimo roqueiro. As músicas longas, cheias de histórias e temas provocativos continuaram no repertório de Dylan, mas dessa vez acompanhadas pela guitarra.

Além de estar presente no livro 1001 discos …, Highway 61 Revisisted consta em 4º lugar na lista dos 500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos, feita pela revista Rolling Stone.

Bert Jansch

bert jansch5 anos após Joan Baez lançar seu primeiro álbum foi a vez de Bert Jansch encantar com a dupla voz/violão. Enquanto a cantora americana entoava canções tradicionais de sua terra, o escocês Jansch abordava conflitos emocionais, amor, drogas e desilusões sempre acompanhado com impecáveis acordes na guitarra, sendo esta a protagonista do álbum Bert Jansch, deixando a voz do músico em segundo plano.

Oh How Your Love is Strong, I Have no Time e Needle of Death, juntamente com a instrumental Angie são minhas preferidas no disco e recomendadas para momentos de pura introspecção.

Dusty Springfield – A Girl Called Dusty

a_girl_called_dustyUma branquela com vozeirão e cabelo armado, embalada por letras tristes não é uma descrição exclusiva de Amy Winehouse. Influenciada pela soul music de gravadoras como a Motown, a coletânea de 1964 A Girl Called Dusty de Dusty Springfield traz belas interpretações desta que foi uma das principais cantoras de soul da Inglaterra nos anos 60.

dustyspringfieldDo hit Mama Said a versão de When The Lovelight Starts Shining Thru His Eyes, do trio The Supremes, passando pela canção feminista You Don’t Own Me, Dusty canta com firmeza as dores do amor, mantendo o charme necessário em um saboroso álbum a ser ouvido da primeira a última faixa.

A única falha na escolha das músicas para esta coletânea foi em não ter incluido a excelente I Just Don’t Know What To Do With Myself (mais conhecida hoje pela versão do White Stripes) que faz parte do álbum Dusty, também lançado em 64.

Ouça:

Mama Said:

When The Lovelight Starts Shining Thru His Eyes:

I Just Don’t Know What To Do With Myself:

Veja:

The Supremes – When The Lovelight Starts Shining Thru His Eyes

White Stripes – I Just Don’t Know What To Do With Myself

Dusty Springfield – I Just Don’t Know What To Do With Myself

Charles, Beatles, Dylan, Gilbertos, Brel

Resolvi fazer um apanhado de algumas  ótimas músicas distribuídas nos álbuns citados no livro 1001 Discos. A lista abaixo compreende ainda lançamentos da década de 60.

Bye Bye LoveRay Charles

Essa faixa também foi composta pelo casal Felice e Boudleaux Bryant para The Everly Brothers, mas a versão tragicômica de Charles é excelente. Primeira faixa do disco Modern Sounds in Country and Western Music, anima o espirito do ouvinte para a sequência de lamentações amorosas.

All My LovingThe Beatles

Minha preferida do disco With The Beatles, lançado em 1963 que também traz Please Mister Postman e Till There Was You (que teve a honra de ser traduzida por Beto Guedes e interpretada por Simony!)

Blowin’  In The WindBob Dylan

Não conhece Bob Dylan? Aproveite para conhecer agora. Esta faixa abre o The Freewheelin’ Bob Dylan, de 1963, que traz uma impecável seleção de canções folk como só Dylan faz.

Corcovado (Quiet Nights of Quiet Stars) Stan Getz and João Gilberto

Direto do Brasil da Bossa Nova Tipo Exportação, o disco Getz/Gilberto reúne as canções mais famosas da bossa nova, mas o destaque fica por conta das participações de Astrud Gilberto no vocal.

I Should Have Known BetterThe Beatles

Outra música dos Beatles que sofreu um atentado terrorista ganhou uma versão brasileira. Porque se a Jovem Guarda cantou, então não custa nada o KLB fazer o mesmo. Presente no disco A Hard Day’s Night, que também tem outros sucessos adaptados por artistas nacionais.

MathildeJacques Brel

O disco Olympia 64 é diversão garantida para fãs da chanson française, mas o principal motivo da escolha dessa faixa é a presença da mesma na trilha da peça Le Retour Au Désert (O Retorno ao Deserto).

The Everly Brothers – A Date With The Everly Brothers

adatewithEntre tantos outros albuns de maior destaque no livro 1001 Discos, o A Date With… dos The Everly Brothers até fica meio apagado, mas uma música foi o suficiente para que eu o citasse aqui.

Provavelmente ao lançar o 6º álbum de estúdio, em 1960, a dupla não imaginava que a balada Love Hurts seria tão regravada ao longo das décadas seguintes. Na verdade, Love Hurts foi mais uma das várias canções escritas pelo casal Felice e Boudleaux Bryant para a dupla e já passou pela voz de Roy Orbison, Gram Parsons e Cher, mas a versão que acabou ficando famosa é a da banda escocesa Nazareth, gravada em 1975, rendendo um disco de platina para a banda.

Para refrescar a memória, confira o vídeo com a versão de Nazareth (fique tranquilo; aquilo na cabeça do vocalista é só cabelo!):

Ouça também Love Hurts por Gram Parson, Roy Orbison, Cher, Norah Jones & Keith Richards, Joan Jett, The Who e Emmylou Harris & Elvis Costello.

Ah! A versão de The Everly Brothers tá aqui.

Joan Baez

joanbaezQuando penso em voz e violão a primeira coisa que me vem à mente é em algum engraçadinho gritando “Toca Raul!” ou, pior ainda, “Toca Legião!”. No entanto, essa parceria musical –  tão comum nas rodinhas de bebados desafinados – já teve dias gloriosos e emocionantes, tendo como registro o álbum de estréia da cantora folk Joan Baez.
Lançado em 1960, trazendo no repertório músicas tradicionais da Inglaterra e dos EUA, o album Joan Baez é uma daquelas obras primas que merecem adjetivos exagerados como arrepiante, devastador, emocionante e afins. As melodias simples são carregadas pela voz envolvente de Baez, capaz de derreter qualquer coração empedrado.
Fare Thee Well (10.000 Miles), House of The Rising Sun e All My Trails são algumas das faixas para ouvir e esquecer o resto do mundo enquanto a alma e a mente decolam… nem que seja por apenas 3 minutos.

The Atomic Mr. Basie

the_complete_atomic_basieWilliam Count (Conde) Basie, lá pelos anos 50 resolveu reunir sua banda, formada nos anos 30, após um recesso forçado por mudanças nos gostos musicais.

Cinco anos após o retorno, com novos integrantes,  a big band Count Basie lança o excelente The Atomic Mr. Basie, jazz de primeira com todo o charme esperado de uma big band.

A primeira faixa, The Kid From Red Bank e Flight Of The Foo Birds são merecidamente recomendadas para embalar qualquer situação.

Songs for Swingin’ Lovers!

songsforswinginloversSe no disco anterior Frank Sinatra cantava melancolicamente as dores do fim de um relacionamento, em Songs For Swingin’  Lovers!, de 1956, o cantor deixa claro que a ferida foi curada, talvez à base de novos amores.

Tristeza não teve espaço nas 15 faixas do disco de swing jazz feito para acompanhar estalando os dedos e marcando o tempo com o pé ao som de arranjos belíssimos, conduzidos pela orquestra e pela voz alegre de Sinatra.

As faixas mais marcantes (e famosas) sem dúvida ficam por conta de You make me feel so young e I’ve got you under my skin que são capaz de animar o dia de qualquer um, criando a imagem de alguém cantando e correndo aos pulos por um parque ensolarado.

Para matar curiosidade…

Como a proposta sobre os comentários dos discos presentes no livro 1001 Discos… focava apenas para os meus preferidos eu estava prestes a pular algumas páginas nem tão chamativas, mas percebi que seria injustiça não recomendar pelo menos uma rápida audição dos discos abaixo:

The Louvin Brothers – Tragic Songs of Life

lbtragicMúsica country feita por uma dupla de irmãos. Até aqui, nada de excepcional.

No entanto, conhecer um pouco da música country é fundamental para perceber a influência da mesma em diversos gêneros músicais (ou seriam subgêneros do country?) como blues, folk e o rock.

Em Tragic Songs of Life a dupla The Louvin Brother regravou uma tradicional canção americana, In The Pines, que quase 40 anos depois seria tocada por uma banda grunge para um show de um canal de tevê. Na ocasião, a música passou a ter o nome de Where Did You Sleep Last Night, mas até hoje também é conhecida como My Girl do Nirvana.

Louis Prima – The Wildest!

Disco recomendado para quem acredita que jazz e saxofone são sinônimos daquele sonífero sonoro também conhecido como Kenny G.

Louis Prima é daqueles interpretes que esbanja carisma e bom humor ao cantar. A maior prova estão nas faixas Medley: Just a Gigolo – I Ain’t Got Nobody e (Nothing’s Too Good) For My Baby.

Fats Domino – This Is Fats

O simpático gordinho Antoine “Fats” Domino tem uma coleção de músicas que parecem familiares, mas sempre fico em dúvida se realmente já ouvi alguma das músicas ou é déjà vu mesmo. Blueberry Hill e Honey Chile são minhas preferidas.