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John Waters – Parte 5

Hairspray – E Éramos Todos Jovens (Hairspray, 1988)

No começo da década de 60 a grande sensação da tv em Baltimore era o programa Corny Collins Dance Show. Fazer parte dos participantes/dançarinos era o sonho dos adolescentes, principalmente de Tracy Turnblad (Ricki Lake), a gordinha de cabelo armado à base de muito hairspray. Após ganhar um concurso de dança, Tracy é selecionada para integrar ao Corny Collins a princípio contra a vontade de sua mãe Edna (Divine, em seu último papel), até enchergar as possibilidades financeiras no sucesso da filha.

O sucesso de Tracy incomoda a mimada Amber von Tussle (Colleen Fitzpatrick), que com a ajuda dos pais Velma (Debbie Harry) e Franklin (Sonny Bono) procuram sabotar a gordinha preferida pelo público. Ao mesmo tempo, algo mais importante preocupa Tracy e seus amigos: segregação racial, participando de protestos a favor da integração em programas de tv.

Apesar de ter ganhado uma adaptação em musical da Broadway em 2002 e um filme musical em 2007, Hairspray não é um musical. O filme dançante de John Waters tem uma produção mais requintada, fugindo da estética trash de seus primeiros filmes. Entre os Dreamlanders originais, participam do filme Mary Vivian Pearce e Mink Stole, além de Divine, que faleceu antes do lançamento do filme.

John Waters – Parte 4

Polyester (1981)

Francine Fishpaw (Divine) é uma dona de casa dedicada, casada com um proprietário de cinema pornô e mãe de uma ninfomaníaca e de um violento podólatra viciado em desinfetantes, que vê sua vida desmoronar com os protestos de defensores de filmes de classificação livre, a gravidez da filha e os ataques do filho como maníaco pisador de pés. Roubando a cena, surge a amiga confidente e ex faxineira Cuddles Kovinsky (Edith Massey com sua inconfundível atuação adoravelmente mecânica) – que ficou rica após receber herança de antigos clientes – para ajudar Francine a descobrir a traição do marido com a secretária.

Desiludida, Francine passa a beber compulsivamente e tenta suicídio enquanto o filho é preso e a filha é enviada para uma instituição religiosa administrada por freiras cruéis. Após uma sequência de desastres na vida da família, os problemas vão sendo aparentemente resolvidos, assim como Francine arruma um novo namorado, que na verdade é comparsa e amante de sua mãe para roubar o dinheiro recebido no divórcio.

Uma das atrações de Polyester quando foi lançado em 1981 é o cartão Odorama – que também acompanha a edição importada do DVD – que a partir de indicações numéricas na tela permite que o espectador sinta o cheiro característico da cena ao raspar o número correspondente no cartão, recurso bastante útil já que a protagonista está sempre intrigada ou incomodada com determinados vestígios olfativos.

Sexta long-metragem da carreira de diretor de John Waters, Polyester indica um início de suavização dos temas polêmicos e nonsense em seus filmes, assim como uma produção mais sofisticada, fugindo um pouco da caráter trash marcante dos primeiros filmes. O filme também rendeu trechos de diálogos usados na fantástica música Frontier Psychiatrist, do grupo eletrônico The Avalanches.

John Waters – Parte 3

Problemas Femininos (Female Trouble, 1974)

A trajetória caótica de Dawn Davenport (interpretada por Divine, claro) é o centro da história de Problemas Femininos, de John Waters, começando pela fuga da jovem revoltada por não ter ganhado sapatos de salto alto (um cha-cha heals, como são chamados os sapatos de stripers) de presente de Natal. Na fuga, Dawn ganha carona de Earl Peterson (também interpretado por Divine!) que resolve aproveitar da garota no meio do caminho, mas acaba tendo a carteira roubada. Grávida e solta no mundo, para sobreviver Dawn vira uma garota de carreira(s): garçonete, stripper, prostituta e assaltante. Com uma mãe nem um pouco exemplar, a garota Taffy (Mink Stole) torna-se uma criatura irritante e revoltada que brinca de acidente de carro e nunca foi à escola para não perder tempo com “presidentes, guerras, números ou ciência”.

Dawn casa-se com o cabeleireiro Gator (Michael Potter) para infelicidade da tia Ida (Edith Massey) – uma sexagenária gorda que só usa roupas de couro justas e decotadas – que preferia que o sobrinho fosse gay, pois “o mundo heterossexual é uma vida doente e tediosa”. Mesmo com o fim do casamento, Dawn é convidada para ser modelo em um ensaio fotográfico cheio de crimes pelo casal Dasher (David Lochary e Mary Vivian Pearce), levando a insana protagonista às últimas consequências até o seu apogeu: a cadeira elétrica.

Desperate Living (1977)

Peggy Gravel (Mink Stole) é uma histérica e paranóica dona de casa que acabou de voltar do sanatório e ataca o marido ao imaginar que o mesmo tentava matá-la. Ao gritar por socorro, é acudida pela empregada obesa Grizelda (Jean Hill) que acidentalmente mata o patrão sufocado ao sentar no mesmo. Para evitar a prisão, Peggy e Grizelda fogem para Mortville, uma espécie de vilarejo para criminosos e marginalizados, dominado pela Rainha Carlota (Edith Massey).

Grizelda e Peggy alugam um quarto na pensão de uma ex-lutadora lésbica e sua namorada assassina, desencadeando inúmeras situações bizarras. Desperate Living, além de não contar com a presença de Divine, é o filme mais lésbico da carreira do diretor.