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Acabou em 2010

O ano de 2010 foi o último de quatro séries que eu acompanhava quase que semanalmente (algumas vezes, cheio de frustração). Entre encerramentos bons, ruins e emergenciais, seguem as 4 falecidas:

Ugly Betty

Após inúmeras adaptações internacionais da telenovela colombiana Yo soy Betty, la fea, foi a vez da versão americana, co-produzida por Selma Hayek, tornar realidade. Produzida pelo canal ABC, Ugly Betty a princípio parecia mais uma adaptação para tv do filme O Diabo Veste Prada, do que um dramalhão hispânico com pitadas de humor. A primeira temporada foi sem dúvida a mais divertida e bem planejada nos 4 anos de existência da série. A partir da segunda temporada, a série foi da dramédia para o dramalhão cansativo e repetitivo, recuperando o fôlego tarde demais, somente na última metade da quarta temporada.

De 2006 a 2010, Ugly Betty contou com 85 episódios ao longo de quatro temporadas. Entre outros prêmios, faturou Emmy e Globo de Ouro em 2007 em categorias principais. No Brasil ainda é exibida pelo canal Sony e SBT.

Nip/Tuck

A série superficialmente profunda sobre a dupla de cirurgiões plásticos e os pacientes muitas vezes bizarros que nomeiam os episódios chegou ao fim após 100 episódios distribuidos em seis temporadas ao longo de sete anos. Mesmo entre altos e baixos, Nip/Tuck nunca perdia o gosto pela polêmica: drogas, variados comportamentos e identidades sexuais, psicoses, doenças raras eram temas constantes.

Produzida pelo canal FX e criada por Ryan Murphy (o mesmo criador de Glee), Nip/Tuck levou o Globo de Ouro de melhor série dramática em 2005 e também o Emmy de maquiagem em 2004. No Brasil recebeu o nome de Estética na programação do SBT e também foi ao ar pela FOX e FX.

Heroes

Pessoas comuns com super poderes deu certo na primeira temporada. A partir da segunda temporada, Heroes foi uma sucessão de erros e clichês imperdoáveis. Levou 78 episódios em 4 temporadas para o canal NBC dar fim nesse desastre.

Lost

Muitos mistérios, várias perguntas e poucas respostas foram fundamentais no sucesso de Lost ao longo dos 115 episódios em 6 temporadas. O elenco numeroso mergulhado em tramas de ação e suspense virou mania e rendeu vários prêmios (01 Globo de Ouro em 2006 e 10 Emmy em 2005, 2007, 2008, 2009 e 2010). Depois de tantas perguntas, claro que o final rendeu muita frustração na maioria do público, mas mesmo assim merece todos os elogios que recebe.

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2 x 7 filmes em 2010

Recuperando a idéia de listas Tirando o Atraso chegou a hora de enumerar alguns filmes aos quais assisti em 2010 (lançamentos ou não), compondo duas listas: uma com sete filmes imperdíveis e outra lista com filmes que não deveriam ter saído do projeto.

TOP 7:

  • Toy Story 3 (2010, Dir.: Lee Unkrich): Exagero dizer que um dos melhores filmes do ano é uma animação? Não. Toy Story 3 é divertido e comovente na medida certa, recomendado para todas as idades.
  • É Proibido Fumar (2009, Dir.: Anna Muylaert): Mistura perfeita de drama, romance e suspense num roteiro caprichado de Anna Muylaert e interpretações brilhantes de Glória Pires e Paulo Miklos.
  • 500 Dias Com Ela ((500) Days of Summer, 2009, Dir.: Marc Webb): Sobre pé-na-bunda e como superá-lo. Aberto para a discussão: Summer foi cruel ou Tom não percebeu os sinais desde o começo?
  • A Origem (Inception, 2010, Dir.: Christopher Nolan): Ficção científica rocambolesca com roteiro tão bom que não deixa ninguém perdido na história. Ponto para o encontro de Joseph Gordon-Levitt e Leonardo DiCaprio que também estão em 2 outros filmes desta lista.
  • Ilha do Medo (Shutter Island, 2010, Dir.: Martin Scorcese): Suspense impecável, com fotografia belíssima e uma reviravolta no final.
  • Anticristo (Antichrist, 2009, Dir.: Lars von Trier): Riqueza de simbologia com pitadas de sadismo para narrar a tentativa de um casal em superar a morte do filho.
  • Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (2010, Dir.: José Padilha): Uma sequência que conseguiu ser melhor do que o filme original. Filme brasileiro de ação de alta qualidade.

FLOP 7:

  • Do Começo ao Fim (2009, Dir.: Aluisio Abranches): Difícil saber o que é pior nessa tentativa de filme temático LGBT: o roteiro sem nexo? Atuações patéticas? Direção precária? Nonsense gratuito? O que Júlia Lemmertz faz perdida nesse fiasco?
  • Se Nada Mais Der Certo (2008, Dir.: José Eduardo Belmonte): Poderia ser melhor sem a narração inaudível e sofrível de Cauã Reymond e a tentativa de abraçar muitos temas ao mesmo tempo.
  • Atividade Paranormal 2 (Paranormal Activity 2, 2010, Dir.: Tod Williams): o primeiro já era ruim.
  • Carrie, A Estranha (Carrie, 2002, Dir.: David Carson): Filme feito para tv que assusta pela péssima qualidade.
  • Comer, Rezar, Amar (Eat Pray Love, 2010, Dir.: Ryan Murpy): Julia Roberts e Javier Bardem não foram suficientes para tornar a adaptação do livro famoso em um filme interessante.
  • Nosso Lar (2010, Dir.: Wagner de Assis): Muito dinheiro gasto em “efeitos especiais” e nenhum investido em bom gosto na direção de arte.
  • Nine (2009, Dir.: Rob Marshall): Se a melhor parte do filme é a participação de Fergie, como levar o resto a sério?

Tirando o Atraso 2008 – Livros

livrosEu sei. Uma lista de 2008 publicada em março de 2009 é o cúmulo do atraso, mas como procrastinação é meu forte, vai assim mesmo para não ficar só na promessa.

Como já disse antes a lista não é de novidades – uma espécie de “melhores de 2008” – e sim uma reunião daquilo que preencheu muito bem minhas horas vagas.

Antes da lista, mais uma consideração: ao contrário da lista de séries, não haverá ranking entre os livros abaixo, sendo os mesmos organizados por ordem de sobrenome do autor.

Meu top 10 de livros lidos em 2008:

Sobre Ética e Imprensa – Eugênio Bucci

Ao fim da leitura de Sobre a Ética e Imprensa fiquei com a triste sensação de que a grande imprensa brasileira o considera uma espécie de Manual de anti-jornalismo, em virtude do comportamento contrário aos ensinamentos de Bucci ser tão frequente nas redações. Recomendado para quem ainda acredita ser possível fazer a diferença.

A Sangue Frio – Truman Capote

Destaque no surgimento do jornalismo literário, A Sangue Frio narra o assalto frustrado que resulta no assassinato da família Clutter até a condenação e execução dos assassinos. Fruto de 6 anos de pesquisas e entrevistas feitas por Capote, o livro é uma obra-prima rica em detalhes e capaz de prender a atenção do leitor até a última página.

Casa Grande & Senzala – Gilberto Freire

Estudo minucioso sobre as raízes da sociedade brasileira, influencias culturais e ambientais, assim como as contribuições de cada etnia presente no passado brasileiro. Publicado em 1933, Casa Grande & Senzala provocou reações diversas ao mostrar a miscigenação como uma riqueza da nação.

Comunicação em Prosa Moderna – Othon M. Garcia

Não perca tempo com “manuais de redação” dos jornais X ou Y que só servem para homogeneizar textos e estabelecer regras empresariais. Othon M. Garcia mostra o caminho para escrever bem sem a desnecessária pasteurização institucional que tantos manuais oferecem.

1984 – George Orwell

Eu já tinha lido 1984 em plena adolescência e o maravilhamento foi imediato. 9 anos depois, resolvi reler o clássico de Orwell – mas dessa vez em inglês – e é incrível como o mesmo texto proporciona novas experiências após um longo intervalo. A sociedade totalitária imaginada por Orwell, com suas terminologias e hipocrisias explicam muito a nossa sociedade. Dizer de onde surgiu o termo Big Brother é o de menos.

Clube da Luta – Chuck Palahniuk

Sempre nutri uma certa obsessão pelo filme Clube da Luta, mas o livro, esgotado no Brasil, tornou-se algo impossível de encontrar. Mas sempre tem pessoas incríveis e especiais dispostas a garimpar editoras e distribuidoras até encontrar aquele presente perfeito. E foi assim que ganhei o livro de Palahniuk. A maluquice subversiva de Tyler Durden e a devoção quase homoerótica do narrador são brilhantes.

Vidas Secas – Graciliano Ramos

Confesso: em tempos de prova de literatura no Ensino Médio, li o resumo ao invés do livro. Para corrigir os erros do passado, aventurei-me pelo regionalismo de Graciliano Ramos e apaixonei-me pelo que encontrei. A família animalizada que tenta sobreviver à seca e a cachorra Baleia que sonha com preás compõem um retrato sensível do sertão.

What Língua is Esta? – Sérgio Rodrigues

Neste livro, Sérgio Rodrigues do blog Toda Prosa reuniu textos publicados originalmente em jornais e sites abordando neologismos, estrangeirismos, lulismos e outras variações linguísticas presentes no dia-a-dia brasileiro.

Alucinações Musicais – Oliver Sacks

O neurologista Oliver Sacks é famoso por contar casos inusitados de pacientes, tendo algumas de suas histórias adaptadas para o cinema, como Tempo de Despertar e À Primeira Vista. Em Alucinações Musicais, Sacks reúne situações relacionadas à música, ora como terapêutica, ora prejudicial nos mais variados pacientes.

Ensaio Sobre a Cegueira – José Saramago

Apesar do filme homônimo ser bastante fiel à história de Saramago, sempre recomendo a leitura do livro pelo prazer de acompanhar o desenrolar da história dos cegos e a mulher do médico com a riqueza de detalhes sórdidos e escatológicos ao qual o mundo dos cegos foi transformado.

Ficaram de fora, mas nem tanto: A Revolução dos Bichos (George Orwell), São Bernardo (Graciliano Ramos) e No Sufoco (Chuck Palahniuk) foram ótimas leituras, mas para manter a lista com um livro de cada autor, ficaram à parte.

Tirando o Atraso 2008 – Séries

Entre os seriados que passei a acompanhar neste ano, 3 já subiram no telhado há um tempo. Como não há mais novidades a surgirem nos mesmo, fica esta lista dedicada aqueles boxes que valem a pena ter em casa para assistir novamente.

3º – Carnivàle

carnivaleCom 24 episódio, divididos em duas temporadas, Carnivàle foi exibido entre 2003 e 2005. Apesar do pouco sucesso de público (foi idealizada em 6 temporadas, enxugada em 4, mas acabou cancelada na segunda), a produção da HBO chegou a acumular 15 indicações ao Emmy, tendo ganhado em 5 delas.

Ambientada nos anos da Grande Depressão americana, Carnivàle tem como cenário o circo que dá nome a série, palco de disputas sobrenaturais entre o bem e o mal e habitado por criaturas claramente inspiradas pelo filme Freaks (já falei dele aqui). O grupo liderado por Samson (Michael J. Anderson, o anão de Twin Peaks e Cidade dos Sonhos) percorre pequenas cidades pelo sul dos EUA seguindo ordens de uma criatura misteriosa, em busca de uma igreja liderada por um pastor com poderes demoníacos que deve ser confrontado pelo jovem Ben Hawkins (Nick Stahl, de Exterminador do Futuro 3).

Queer As Folkqaf

Da série britânica, criada em 1999 por Russel T. Davis, surgiu a versão americana que durou 5 temporadas entre 2000 e 2005, criada pela co-produção entre a americana Showtime e a canadense Temple Street Production.

Ao longo de 82 episódios, Queer As Folk abordou das mais diferentes formas assuntos de interesse do público gay, sem as demagogias e o tom professoral tão comuns em novelas. Entre as histórias retratando as relações familiares, profissionais, namoros e amizades,  sempre surgia em discussão conflitos da temática gay como homofobia, união civil, promiscuidade, drogas, prevenção de DSTs, vida noturna, militância, além de todos outras situações comuns à qualquer pessoa, independentemente da sexualidade.

A princípio a série pode chocar alguns pelas cenas não muito pudicas, mas convenhamos que perto de tantos outros roteiros de novelas e programas brasileiros, Queer As Folk até é um bom programa familiar.

Six Feet Under

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A história dos Fishers, a complicada família proprietária de uma funerária, está sem dúvidas entre as séries mais adoradas pelo público do gênero. Morte, drama e uma boa pitada de humor negro foram os ingredientes principais nos 63 episódios de Six Feet Under ao longo das 5 temporadas exibidas entre 2001 e 2005 e produzidas pela HBO.

Criada por Alan Ball, também responsável por Beleza Americana e mais recentemente True Blood, Six Feet Under conta com elenco impecável e texto brilhante – além das prosaicas mortes que sempre iniciam cada episódio – que alimentam a compulsão do público para acompanhar cada desfecho da história.

Ausência, saudade, abandono, compaixão, traição, violência, inaptidão, perdão, carência, neurose e muita irônia transbordam pelos episódios, prontos para arrancarem lágrimas do público.

Tirando o Atraso 2008

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Todo fim de ano, jornais, blogs, revistas e sites especializados publicam suas listas com os melhores do ano e – como de costume – eu sempre vejo as listas e me pergunto onde eu estava nas últimas três centenas de dias que passaram, já que normalmente desconheço a maior parte dos ditos “melhores” por tanta gente.

Conformado com minha inaptidão para acompanhar novidades em tempo real, resolvi montar listas das minhas “grandes descobertas” ao longo do ano: livros, séries, filmes, discos e o que mais aparecer de bom, independentemente do ano de lançamento. O importante para entrar na lista é ter conhecido (o filme, livro, série, etc…) no ano corrente.

Então procurarei publicar aqui as listas Tirando o Atraso e já deixo o convite para comentarem à vontade e também para criarem suas lista com velhas “descobertas”.

(Imagem: Josefin Hellström-Olsson)