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FIT Rio Preto 2010 – Dias 15 a 19

Em meio às movimentações da 10ª edição do Festival Internacional de Teatro de Rio Preto que estão percorrendo a cidade, faço uma pausa para um breve levantamento do que já acompanhei até agora e registrar algumas impressões.

Dia 15:

Todos os preparativos e anúncios para o FIT Rio Preto 2010 sempre deixaram as pistas de que esta edição seria uma reformulação do festival: mudanças na organização, desparecimento do logo oficial, morte anunciada do Não-Lugar. No entanto, no evento de abertura – que evitou qualquer pronunciamento de autoridades e afins – foi exibido um vídeo institucional relembrando os últimos 9 anos do FIT, ao invés de um video-clip explosivo listando as atrações da edição.

Em seguida, a abertura do FIT 2010 contou com a estréia do espetáculo Antes, do Armazém Companhia de Teatro para um público estimado em 5 mil pessoas que, nesta edição, contou com arquibancada extra no Anfiteatro Nelson Castro.

O texto denso, com direito à toda excelência do grupo Armazém, era um banquete para os fãs de teatro ao mesmo tempo que pode ter causado certo desconforto aos visitantes mais conservadores.

Dia 16:

DentroFora – In.Co.Mo.De-Te

Um casal praticamente imobilizado, cada um numa caixa, discute o passado e o drama de estar preso, assim como o medo de libertar-se. Excelente figurino e atuações reforçam o texto com divertidas frases de efeito.

Dia 17:

Marcha para Zenturo – Espanca! e Grupo XIX de Teatro

É sempre gratificante assistir a um espetáculo do Espanca! (já conferi o fantástico Amores Surdos e o razoável Congresso Internacional do Medo) e mais uma vez fiquei em estado de pura catarse. Os diálogos aparentemente desconexos entre os personagens limitados ao seu próprio tempo e a angústia de se sentir deslocado dominam o espetáculo.

OTRO (or) weknowitsallornothing – Coletivo Improviso

Divertido apunhado de contos, teatro, histórias, experiências antropológicas, dança, coreografias, vídeos e afins. Ajudou a amenizar o peso na alma provocado pelo Espanca!.

Dia 18:

A Hora em Que Não Sabiamos Nada Uns dos Outros – Cia. Elevador de Teatro Panorâmico

Em respeito à mensagem final da apresentação “não revele o que viu, permaneça na imagem”, evitarei detalhes. A escolha da Praça Cívica para o desenrolar dos 300 personagens-tipos, que vagam pelo centro de qualquer cidade, foi um grande acerto.

Las Julietas – Marianella Morena

O competente quarteto uruguaio apostou em piadas repetitivas e gags físicas que agradou grande parte do público, mas me deixou bastante entediado.

Ode ao Homem que se Ajoelha – Cia. New York City Players

Espetáculo que me causou uma intensa crise de riso por vergonha alheia. Mas o jornal The New York Times jura que é um musical “denso, divertido e estranhamente belo”.

Dia 19:

Os Mentirosos – Cia. Teatral Palhaços Noturnos

Provavelmente este foi o maior fiasco do festival. Não merece atenção.

FatzerBraz de Bertolt Brecht&Co – andcompany&Co.

Espetáculo em processo carregado de referência histórica, visual kitsch e construção anárquica. Muita gente não gostou, mas fiquei curioso pra ver o resultado final.

FITinianas

  • As arquibancadas montadas para espetáculos na Swift e ginásio do SESC tornaram um grande desafio sem as saudosas almofadas presentes em edições anteriores do FIT;
  • Vários fotógrafos foram contratados pelo evento para registrar os espetáculos (e em alguns casos atrapalhar o público) mas na galeria de fotos do site só foram disponibilizadas imagens de divulgação dos grupos.
  • A divulgação alardeou o grande número de apresentações gratuitas, o que não é novidade desta edição. A única mudança foi que para essas apresentações os ingressos são liberados com uma hora de antecedência na portaria, provocando grande irritação e desconforto no público.
  • Sempre admirei a estrutura do complexo Swift, principalmente os interiores dos prédios… Encontrar o prédio da chaminé, onde está instalado o ponto de encontro, com as paredes internas rebocadas e brancas foi um choque.

BIG BANG BIG BOOM ou o stop-motion mais incrível do mundo!

BIG BANG BIG BOOM é “um ponto de vista não-científico sobre o começo e a evolução da vida… e como ela possivelmente poderá acabar”, mas prefiro classificar o vídeo do BLU como “a stop-motion mais incrível do mundo!” ao animar street art em diferentes espaços.

O vídeo que levou “meses de trabalho e centenas de baldes de tinta” foi dirigido e animado por BLU, produzido e distribuido por ARTSH.IT e a trilha é de Andrea Martignoni.

Futebol, o remake

Como futebol está longe de ser um assunto presente neste blog, faço a contribuição em tempos de Copa do Mundo com o vídeo Refait do coletivo francês Pied La Biche.Refait é um remake da partida de futebol entre França e Alemanha, realizada em Sevilha (Espanha) na Copa do Mundo de 1982. Gravado em Villeurbanne (França), o remake é exibido ao lado da partida original, reconstruindo detalhadamente os últimos 15 minutos do jogo, espelhando ângulos, gestos e posições de jogadores, mas com a diferença do espaço, deslocando o campo de futebol para ambientes urbanos.

 

Contagem regressiva

Nas próximas semanas algumas das minhas séries favoritas voltam com novas temporadas lá fora:

21 de setembro:

heroes4thHeroes – 4ª Temporada: Acompanhar Heroes é ficar esperando por qualquer absurdo no roteiro e tolerar dezenas de novos personagens nem sempre necessários, mas até que é divertido. O desfecho da 3ª temporada, com a transformação de Sylar em Nathan, deu o sinal de que o plano da matriarca Petrelli não foi muito bem sucedido. Entre os novos personagens, foi escalada a excelente Madeline Zima (A Mia de Californication) para o papel de Gretchen, roomate de Claire.

25 de setembro:

UglyBetty4thUgly Betty – 4ª Temporada: A “dramédia” Ugly Betty recuperou um pouco do humor na última temporada (após um dramalhão sem fim na 2ª temporada). Betty foi promovida na Mode, mas pelo jeito terá um chefe pior do que Wilhelmina: seu ex-namorado. Veja aqui um trecho divertido da nova temporada.

27 de setembro:

dexter4thDexter – 4ª Temporada: O melhor e mais carismático serial killer agora é papai. Além de fator família ficar mais presente na nova temporada de Dexter, a escolha de John Lithgow para o papel do vilão Walter Simmons promete um show de interpretação. Lithgow também espera que com a participação em Dexter o público esqueça um pouco o extraterrestre panaca Dick Solomon, de 3rd Rock From the Sun.

Californication3rdCalifornication – 3ª Temporada: Arrisco dizer que Californication tem um dos elencos mais brilhantes da tevê. Os méritos da série não ficam apenas focados no Hank Moody de David Duchovny; Madeline Zima é um show à parte com a maluca Mia (e pensar que ela já foi a adorável Grace, em The Nanny) e Madeline Martin, como Rebecca Moody, faz a Juno de Ellen Page parecer uma criança boba. E nesta temporada mais um nome de peso entra nos créditos: Kathleen Turner.

14 de outubro:

Nip/Tuck – 6ª Temporada: a última temporada do festival de insanidades e cirurgias plásticas tá chegando. Mais uma vez Nip/Tuck terá uma temporada dividida em duas partes, sendo esticada até meados de 2011. Mas pelo menos alguns ótimos vídeos promocionais estão aparecendo pela web. Confira:

O Código de Ética Decorativo

Uma instituição – seja pública ou privada – ao buscar orientar ações e explicitar a própria postura diante da sociedade serve-se de um código de ética como instrumento para a exposição de princípios a serem cumpridos.

São vários os códigos de ética profissionais, empresariais e governamentais; temos, por exemplo, Código de Ética Odontológica, Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, Código de Ética do Grupo Pão de Açúcar, Código de Ética dos Servidores da Anatel, entre outros.

Enquanto alguns códigos de ética só interessam aos envolvidos, outros merecem maior destaque e este caso deve ser aplicado ao Código de Ética da Radiodifusão Brasileira, de 1993, firmado entre os empresários da Radiodifusão Brasileira e Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão).deadtv

O texto que inicia com o pacto entre os empresários de radiodifusão dispostos a “transmitir apenas o entretenimento sadio e as informações corretas espelhando os valores espirituais artísticos que contribuem para a formação da vida e do caráter do povo brasileiro” é uma coletânea de dissimulações e idéias retrógradas. Destaco alguns trechos curiosos:

(…)

CAPITULO II

Da Programação

Art. 5º – As emissoras transmitirão entretenimento do melhor nível artístico e moral (…)

Art. 7º – Os programas transmitidos não advogarão discriminação de raças, credos e religiões (…)

Art. 15º – (…)

1) São livres para exibição em qualquer horário, os programas ou filmes:

a) que não contenham cenas realistas de violência, (…); não tratem de forma explícita temas sobre estupro, sedução, sequestro, prostituição e rufianismo;

(…)

d) que não apresentem nu humano (…), não insinuem o ato sexual, limitando as expressões de amor e afeto e carícias e beijos discretos. Os filmes e programas livres para exibição em qualquer horário não explorarão o homossexualismo (sic);

e) cujos temas sejam os comumente considerados apropriados para crianças e pré-adolescentes, não se admitindo os que versem de maneira realista sobre desvios do comportamento humano e de práticas criminosas mencionadas nas letras “a”, “c” e “d” acima;

(…)

2) Poderão ser exibidos, a partir de 20 horas (…):

a) (…) sendo permitida a insinuação de conjunção sexual sem exposição do ato ou dos corpos, sem beijos lascivos ou erotismo considerado vulgar;

(…)

3) Poderão ser exibidos, a partir das 21 horas (…) temas adultos ou sensíveis, observadas as restrições ou uso da linguagem dos itens anteriores e as restrições quanto à apologia do homossexualismo, da prostituição e do comportamento criminoso ou anti-social (…).

4) Poderão ser exibidos após as 23 horas os programas e filmes: que apresentem violência, desde que respeitadas as restrições do horário anterior; que não apresentem sexo explícito nem exibam, em “close”, as partes e órgãos sexuais exteriores humanos; que utilizem palavras chulas ou vulgares desde que necessárias e inseridas no contexto da dramaturgia; que abordem seus temas sem apologia da droga, da prostituição e de comportamentos criminoso.

É bastante curioso notar que a busca pelo entretenimento de melhor nível artístico e moral ficou só no papel, assim como a discriminação religiosa tá logo ao alcance do controle remoto: relembre a delicadeza do pastor que chutou a imagem de uma santa ou as patéticas sessões de “descarrego” tão comuns nas madrugadas da tv do bispo.

As cenas impróprias por horário são frequentes em novelas e filmes independentemente do período do dia, ao mesmo tempo que prostituição, homossexualismo e comportamento criminosos recebem a mesma classificação.

Várias babás, o mesmo topete

TheNannyEntre 1993 e 1999 Fran Drescher reinou como a babá Fran Fine na série The Nanny, sendo além da atriz principal, criadora e produtora da sitcom da CBS. Em seis temporadas – com uma média de 24 episódios cada – The Nanny conta a história de Fran que com sua voz nasalada e cabelão armado (desconfio que seja esta a inspiração de Amy Winehouse) trabalha como babá em uma mansão de um viúvo milionário.

Nos seis anos de exibição, The Nanny colecionou indicações ao Globo de Ouro e Emmy, mas deste acabou só levando um prêmio pelo figurino em 1995. No entanto, entre o público a série caiu no gosto e rendeu versões em outros países (e, provavelmente, engordou o cofrinho de Drescher).

E como para cada adaptação há uma reformulação na abertura, acompanhe:

Montagem com a versão original de The Nanny, seguida das produções chilena e mexicana:

Na Rússia:

Já a versão polonesa ao invés da abertura, vai uma seleção de cenas assustadoras: o cenário, ângulos das imagens e trejeitos dos atores são idênticos a série original e a protagonista é um cruzamento entre Fran Drescher e Mary-Louise Parker.

Há também uma adaptação argentina com trechos perdidos pelo youtube.

Só espero que não surja a 7ª adaptação… algo como Babá Francyneille – Made in Brazil.

Tarantino em 7 minutos

Enquanto o novo filme de Quentin Tarantino, Inglourious Basterds, não chega aos cinemas, o grupo Eclectic Method reuniu trechos de todos os filmes do diretor numa edição fantástica de deixar qualquer fã com vontade de rever cada um dos filmes.

A montagem recebeu o nome de The Tarantino Mixtape e é tão boa que deve ser acompanhada com um balde de pipoca:

Inglorious Basterds chega no Brasil só em 23 de Outubro.

McDonalds Alagado

Uma lanchonete do McDonalds é invadida, aos poucos, por um alagamento. A natureza revida o aquecimento global com a fúria das águas e ao longo de 20 minutos o símbolo do consumismo exagerado é afogado junto com seus objetos descartáveis.

mcflooded_totalPara a infelicidade de quem odeia o McDonalds, a cenário acima não passa de uma réplica em tamanho real da lanchonete, criada pelo coletivo dinamarquês Superflex para a filmagem do vídeo Flooded McDonald’s em co-produção com South London Gallery, Louisiana Museum of Modern Art, Oriel Mostyn Gallery e Danish Film Institute.

mcafogadoO vídeo está em apresentação no South London Gallery. Outras imagens e trecho do vídeo estão disponíveis no site oficial.