Logo após o surgimento das primeiras músicas gravadas pela atriz Scarlett Johansson em sua carreira musical, minhas primeiras impressões foram: 1) Ela é melhor como atriz; 2) Isso parece um cover ruim da Nico. Claro que algumas músicas um pouquinho melhores da atriz surgiram em seguida, mas na minha cabeça a comparação com aquela que foi integrante do Velvet Underground permaneceu.
Da carreira de modelo, Nico (nascida Christa Päffgen) acabou ganhando papéis em alguns filmes, chegando a fazer participações em A Doce Vida de Federico Fellini e Chelsea Girls de Andy Warhol. A amizade com Warhol rendeu o convite para a então modelo/atriz soltar a voz num álbum solo, além da participação no Velvet Underground. Assim, pegando carona na participação no filme Chelsea Girls, em 1967 a cantora Nico surge com o álbum Chelsea Girl com faixas assinadas por Bob Dylan, Lou Reed, entre outros.
A voz grave, entonação e pronuncia típica de uma estrangeira (Nico era alemã) davam um toque esquisitão em músicas suaves, embaladas por flauta, violoncelo, guitarra e órgão. A faixa de abertura, The Fairest of the Seasons – de uma beleza singular – assim como a faixa-título (ouça uma versão ao vivo) deixam claro o potencial da cantora. O disco só não é todo perfeito pela longa e entediante It Was a Pleasure Then que em 8 minutos abre mão da musicalidade para o experimentalismo.
A premiação do Oscar no ano de 2006 surtiu muita polêmica com o resultado para Melhor Filme, concedendo a estatueta para o filme de Paul HaggisCrash – No Limite. Ao mesmo tempo que muita gente vibrou com a premiação, tantos outros contestaram ora por considerarem o filme exageradamente preconceituoso, ora pela consequente não-premiação dos concorrentes: O Segredo de Brokeback Mountain,Capote,Boa Noite e Boa Sorte e Munique.
Já que o tema principal de Crash é o preconceito, faço uma confissão: por muito tempo recusei-me a assistir a esse filme por um único motivo: Brendan Fraser.
Após alguns anos de preparação, além da expectativa de ver Jennifer Esposito (a Andrea de Samantha Who?) num papel dramático, fiquei aliviado com as curtas aparições do péssimo Fraser, graças à grande quantidade de personagens com suas histórias entrelaçadas.
“Deus criou o mundo em seis dias, descansou no domingo e na segunda se arrependeu. Desde então, a segunda-feira ficou consagrada como dia internacional do remorso”
Nas próximas semanas algumas das minhas séries favoritas voltam com novas temporadas lá fora:
21 de setembro:
Heroes – 4ª Temporada: Acompanhar Heroes é ficar esperando por qualquer absurdo no roteiro e tolerar dezenas de novos personagens nem sempre necessários, mas até que é divertido. O desfecho da 3ª temporada, com a transformação de Sylar em Nathan, deu o sinal de que o plano da matriarca Petrelli não foi muito bem sucedido. Entre os novos personagens, foi escalada a excelente Madeline Zima (A Mia de Californication) para o papel de Gretchen, roomate de Claire.
25 de setembro:
Ugly Betty – 4ª Temporada: A “dramédia” Ugly Bettyrecuperou um pouco do humor na última temporada (após um dramalhão sem fim na 2ª temporada). Betty foi promovida na Mode, mas pelo jeito terá um chefe pior do que Wilhelmina: seu ex-namorado. Veja aqui um trecho divertido da nova temporada.
27 de setembro:
Dexter – 4ª Temporada: O melhor e mais carismático serial killer agora é papai. Além de fator família ficar mais presente na nova temporada de Dexter, a escolha de John Lithgow para o papel do vilão Walter Simmons promete um show de interpretação. Lithgow também espera que com a participação em Dexter o público esqueça um pouco o extraterrestre panaca Dick Solomon, de 3rd Rock From the Sun.
Californication – 3ª Temporada: Arrisco dizer que Californication tem um dos elencos mais brilhantes da tevê. Os méritos da série não ficam apenas focados no Hank Moody de David Duchovny; Madeline Zima é um show à parte com a maluca Mia (e pensar que ela já foi a adorável Grace, em The Nanny) e Madeline Martin, como Rebecca Moody, faz a Juno de Ellen Page parecer uma criança boba. E nesta temporada mais um nome de peso entra nos créditos: Kathleen Turner.
14 de outubro:
Nip/Tuck – 6ª Temporada:a última temporada do festival de insanidades e cirurgias plásticas tá chegando. Mais uma vez Nip/Tuck terá uma temporada dividida em duas partes, sendo esticada até meados de 2011. Mas pelo menos alguns ótimos vídeos promocionais estão aparecendo pela web. Confira:
No livro Cantiga de Ninar, de Chuck Palahniuk, o jornalista Carl Streator, durante pesquisas sobre a Síndrome de Morte Súbita Infantil, descobre uma cantiga africana que se falada – ou mesmo pensada – em direção a alguém, mata a pessoa no mesmo instante. Pouco antes do verso fatal – ou cantiga de poda – transformar o jornalista num assassino compulsivo, Streator imagina como seria se o barulhento mundo de hoje começasse a aterrorizar-se com qualquer tipo de som:
O trovão abafado do diálogo atravessa as paredes, seguido por uma gargalhada em coro. Depois, mais trovões. a maior parte das trilhas sonoras de risadas na televisão foi gravada no começo da década de 1950. Hoje em dia, a maioria das pessoas que nós ouvimos rindo já estão mortas. (…)
Sob o assoalho, alguém está exclamando as palavras da letra de uma canção. Essas pessoas que precisam de suas tevês, vitrolas ou rádios tocando o tempo todo, essas pessoas que têm tanto medo do silêncio, são minhas vizinhas.
São barulhonômanos. Silenciófobos. (…)
Nós aumentamos o volume da nossa música para abafar o barulho. Os outros aumentam o volume da sua música para abafar a nossa. Nós aumentamos a nossa mais uma vez. (…)
Não se trata de qualidade. Trata-se de volume. (…)
Esses barulhômanos. Esses calmófobos.
Lá vem a batida, a batida e a batida de um tambor atravessando o teto. Pelas paredes, dá pra ouvir o riso e o aplauso de gente morta.
(…) Não é que você queira que todo mundo morra, mas seria agradável soltar o feitiço de poda no mundo. (…) Depois que as pessoas declarassem ilegal qualquer som forte, qualquer som que pudesse abrigar um feitiço, qualquer música ou barulho que pudesse ocultar um poema mortífero, depois disso o mundo ficaria silencioso. Perigoso e assustador, mas silencioso.
Originalmente exibido pelo canal ABC com a co-produção da Touchstone Television e exibida no Brasil pelo canal pago Sony, a comédia Samantha Who? teve vida curta: 35 episódios em duas temporadas. Estrelada por Christina Applegate, Samantha Who? apresenta a confusa protagonista que, após ser atropelada por um desconhecido e passar 8 dias em coma, acorda sem nenhuma lembrança sobre sua vida e descobre em pouco tempo que até antes do acidente era uma pessoa má e egoista com uma legião de desafetos.
Na tentativa de recuperar a memória, Samantha aproveita para reparar as maldades do passado e virar uma pessoa boa. Entre as repentinas lembranças da Samantha Má e os esforços da Samantha Boa é onde toda a graça da série se sustenta, marcada por situações banais do dia-a-dia enfrentadas com a dificuldade de quem não se lembra de nada.
Christina Applegate não é nenhuma novata em comédias na tv: 20 anos antes de Samantha Who?, a atriz ficaria famosa na pele de Kelly Bundy, a loira-burra da família Bundy na sitcom Married With Children, que ficou no ar por 11 temporadas. Logo após o cancelamento de Married with Children, Applegate ganhou o papel principal em outra comédia, Jesse, que também contava com o brasileiro Bruno Campos. Após o cancelamento de Jesse, Applegate voltou a aparecer na tv como uma das irmãs de Rachel, em Friends.
Mas o elenco de apoio em Samantha Who? não deve ser esquecido. As amigas Dena (Melissa McCarthy) e Andrea (Jennifer Esposito), além da maluca Regina (Jena Smart) – mãe de Samantha – e o porteiro rabugento Frank (Tim Russ) rendem situações hilárias, fazendo da série uma comédia leve e despretensiosa, algo que estava em falta nos últimos anos com a ascensão de reality shows, dramas e mistérios.
Mesmo com ótimos índices de audiência, Samantha Who? foi cancelada com a justificativa que sua produção era muito cara. Apesar do apelo de fãs e da própria protagonista, a história chegou ao fim de forma um tanto apressada, mas sem decepcionar, ligando as pontas soltas e revelando quem atropelou Samantha.
Em 1965 Bob Dylan já tinha o que se pode chamar de uma respeitável carreira musical: em três anos, já contabilizava 5 discos de sucesso; suas baladas folks renderam o rótulo de cantor de protesto; o estilo influenciava tantos outros artistas por várias gerações.
Mas foi com Highway 61 Revisited que o cantor folk pegou muita gente de surpresa ao mostrar que também era um ótimo roqueiro. As músicas longas, cheias de histórias e temas provocativos continuaram no repertório de Dylan, mas dessa vez acompanhadas pela guitarra.
Além de estar presente no livro 1001 discos …, Highway 61 Revisisted consta em 4º lugar na lista dos 500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos, feita pela revista Rolling Stone.
Reverenciado como o melhor pior filme do mundo, Pink Flamingos sem dúvidas bate recordes em situações, cenas e contextos subversivos, polêmicos e escatólogicos. O exercício de mau gosto, disfarçado em uma comédia escrachada, traz Divine novamente no centro da história: a foragida Divine – a pessoa mais perversa ainda viva – usa o codinome Babs Johnson e tem como esconderijo um trailer rosa (com estátuas de flamingos decorando a entrada) em um terreno baldio, habitado também pela amiga voyeur Cotton, o filho maníaco Crackers e a mãe de baixa idade mental Edie.
Como uma boa criminosa, Babs orgulha-se pela péssima fama conquistada a custo de muito esforço: assassinatos e roubos. No entanto, o invejoso casal Marble planeja tomar o título de pessoa mais perversa viva de Babs e para isso contam com uma estratégia única: sequestrar mulheres e engravidá-las para depois vender os bebês para casais de lésbicas e, com o dinheiro arrecadado, financiar o tráfico de heroína em escolas infantis, além de manter lojas de pornografia.
Logo no início a bizarrice começa com a mãe de Babs – a obesa e retardada Edie – que vive em um chiqueirinho comendo e implorando por ovos o dia todo. A guerra entre Divine e os Marbles é declarada após estes enviarem um singelo presente de aniversário a Babs: uma bela e colorida caixinha com bosta. A batalha segue com uma operação profonação da casa dos Marbles: Divine/Babs e seu filho Crackers lambem todos móveis e objetos da casa e acabam tomando outras medidas mais drásticas.
Filmagens toscas, às vezes mal enquadrada e/ou desfocada, além das atuações muitas vezes exageradas são só detalhes na sequência de cenas memoráveis (ou seriam traumatizantes?) que vão desde uma cena de sexo envolvendo galinhas vivas sendo esmagadas, a uma dublagem de música feita por, digamos, outra parte do corpo além da boca, além da inacreditável cena que encerra o filme, com Divine provando que sua perversidade não tem limites.
Pink Flamingos é aquele tipo de filme que pode assustar os mais desavisados, mas nem por isso deve ser desmerecido pelo excesso de conteúdo inapropriado. Toda a tosquice e subversão proposta rendem uma história engraçada, cheia de nonsense e frases de efeito extremamente eficientes. É puro cinema trash para assistir sem pudores.
O Núcleo Arte e Ciência no Palco da Cooperativa Paulista de Teatro com 10 anos de existência, somando 12 peças teatrais que abordam temas relacionados ao mundo científico, participou da 9ª edição do Festival Internacional de Teatro de Rio Preto com dois espetáculos: Einstein e After Darwin, formando o Módulo Teatro e Ciência. Com apresentações no confortável auditório do Centro Integrado de Ciência e Cultura (também conhecido como Planetário), as encenações ganharam um aspecto intimísta pela proximidade entre o pequeno palco e público.
Einstein
Foto: Calixto
O monólogo conduzido pelo ator Carlos Palma (criador do Arte e Ciência no Palco), devidamente caracterizado como o físico que virou sinônimo de genialidade, apresenta um simpático e divertido Einstein preparando-se para um jantar ao mesmo tempo em que narra episódios de sua vida. A inadaptação na escola, a conflituosa origem judaico-germânica, teorias e processos criativos são temas tratados de forma emocionada e bem humorada ao longo de 70 minutos.
After Darwin
Foto: Divulgação
Dois atores e uma diretora de teatro ensaiam uma peça sobre a vida e obra do naturalista Charles Darwin considerando o contraponto conservador do capitão Robert Fitzroy, responsável pelo navio Beagle que levou o cientista pela viagem pelo mundo ao longo de 5 anos. Interesses tanto dos personagens históricos quanto dos artistas são contrastados e questionados ao mesmo tempo em que a teoria da evolução das espécies mostra-se ainda atual por evidenciar que o homem contemporâneo ainda tem que lutar pela sobrevivência.
Einsteinfoi apresentada nos dias 21 e 22 e After Darwin nos dias 24 e 25 de Julho de 2009, durante o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto.