Tudo o que é sólido pode derreter

Tudo o que é sólido pode derreter é uma série brasileira de 2009, co-produzida pela TV Cultura e Ioiô Filmes, que tem como personagem principal a garota Thereza (Mayara Constantino) e suas reflexões sobre a transição para a idade adulta, sempre traçando paralelos com alguma obra da literatura de língua portuguesa.

A série é derivada de um curta-metragem do mesmo nome, produzida em 2005, tendo na direção de ambas produções Rafael Gomes, também responsável por Tapa na pantera. O curta Tudo o que é sólido pode derreter está disponível no Porta Curtas.

A adaptação em série teve 13 episódios, cada um focado em uma obra literária específica, permeados pelo cotidiano de Thereza. Logo no primeiro episódio, as divagações da protagonista tem o respaldo do dualismo de Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e ainda conta com a participação de Maria Alice Vergueiro no papel do Diabo.

Os Sermões (Padre Antônio Vieira), Os Lusíadas (Luis Vaz de Camões), Senhora (José de Alencar), Dom Casmurro (Machado de Assis) e Macunaíma (Mario de Andrade) são algumas das obras revisitadas na série, sempre com episódios que trilham entre a comédia e o drama de forma divertida e carismática.

Tudo o que é sólido pode derrenter ainda pode ser visto pela programação da TV Cultura, em DVD ou até mesmo no site do canal.

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John Waters – Parte 6

Cry-Baby (1990)

Com Johnny Depp no papel principal, elenco cada vez mais famoso e excelentes músicas, Cry-Baby foi o único musical de John Waters e provavelmente uma das poucas megaproduções do cineasta.

Wade Walker (Depp), também conhecido por Cry-Baby pela habilidade de chorar apenas uma lágrima, faz parte dos Drapes, os garotos rebeldes e desajustados de uma escola de Baltimore nos anos 50, rivalizados pelos certinhos e endinheirados Squares.

A rivalidade entre Drapes e Squares acentua com o namoro de Cry-Baby e Allison Vernon-Williams (Amy Locane), uma típica square que está “cansada de ser boazinha”.

No elenco, além dos já tradicionais Dreamlanders, Ricki Lake volta após o sucesso de Hairspray na companhia do cantor Iggy Pop e da controversa Traci Lords, que ganhou fama após revelar ter realizado centenas de filmes pornográficos antes de completar 18 anos, tornando todo o material ilegal.

Para não desagradar totalmente o estúdio investidor, que exigiu um filme de classificação 14 anos, John Waters pegou leve nos temas polêmicos, mas sem desapontar os fãs com as suas inversões de valores e sátiras subversivas.

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Acabou em 2010

O ano de 2010 foi o último de quatro séries que eu acompanhava quase que semanalmente (algumas vezes, cheio de frustração). Entre encerramentos bons, ruins e emergenciais, seguem as 4 falecidas:

Ugly Betty

Após inúmeras adaptações internacionais da telenovela colombiana Yo soy Betty, la fea, foi a vez da versão americana, co-produzida por Selma Hayek, tornar realidade. Produzida pelo canal ABC, Ugly Betty a princípio parecia mais uma adaptação para tv do filme O Diabo Veste Prada, do que um dramalhão hispânico com pitadas de humor. A primeira temporada foi sem dúvida a mais divertida e bem planejada nos 4 anos de existência da série. A partir da segunda temporada, a série foi da dramédia para o dramalhão cansativo e repetitivo, recuperando o fôlego tarde demais, somente na última metade da quarta temporada.

De 2006 a 2010, Ugly Betty contou com 85 episódios ao longo de quatro temporadas. Entre outros prêmios, faturou Emmy e Globo de Ouro em 2007 em categorias principais. No Brasil ainda é exibida pelo canal Sony e SBT.

Nip/Tuck

A série superficialmente profunda sobre a dupla de cirurgiões plásticos e os pacientes muitas vezes bizarros que nomeiam os episódios chegou ao fim após 100 episódios distribuidos em seis temporadas ao longo de sete anos. Mesmo entre altos e baixos, Nip/Tuck nunca perdia o gosto pela polêmica: drogas, variados comportamentos e identidades sexuais, psicoses, doenças raras eram temas constantes.

Produzida pelo canal FX e criada por Ryan Murphy (o mesmo criador de Glee), Nip/Tuck levou o Globo de Ouro de melhor série dramática em 2005 e também o Emmy de maquiagem em 2004. No Brasil recebeu o nome de Estética na programação do SBT e também foi ao ar pela FOX e FX.

Heroes

Pessoas comuns com super poderes deu certo na primeira temporada. A partir da segunda temporada, Heroes foi uma sucessão de erros e clichês imperdoáveis. Levou 78 episódios em 4 temporadas para o canal NBC dar fim nesse desastre.

Lost

Muitos mistérios, várias perguntas e poucas respostas foram fundamentais no sucesso de Lost ao longo dos 115 episódios em 6 temporadas. O elenco numeroso mergulhado em tramas de ação e suspense virou mania e rendeu vários prêmios (01 Globo de Ouro em 2006 e 10 Emmy em 2005, 2007, 2008, 2009 e 2010). Depois de tantas perguntas, claro que o final rendeu muita frustração na maioria do público, mas mesmo assim merece todos os elogios que recebe.

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2 x 7 filmes em 2010

Recuperando a idéia de listas Tirando o Atraso chegou a hora de enumerar alguns filmes aos quais assisti em 2010 (lançamentos ou não), compondo duas listas: uma com sete filmes imperdíveis e outra lista com filmes que não deveriam ter saído do projeto.

TOP 7:

  • Toy Story 3 (2010, Dir.: Lee Unkrich): Exagero dizer que um dos melhores filmes do ano é uma animação? Não. Toy Story 3 é divertido e comovente na medida certa, recomendado para todas as idades.
  • É Proibido Fumar (2009, Dir.: Anna Muylaert): Mistura perfeita de drama, romance e suspense num roteiro caprichado de Anna Muylaert e interpretações brilhantes de Glória Pires e Paulo Miklos.
  • 500 Dias Com Ela ((500) Days of Summer, 2009, Dir.: Marc Webb): Sobre pé-na-bunda e como superá-lo. Aberto para a discussão: Summer foi cruel ou Tom não percebeu os sinais desde o começo?
  • A Origem (Inception, 2010, Dir.: Christopher Nolan): Ficção científica rocambolesca com roteiro tão bom que não deixa ninguém perdido na história. Ponto para o encontro de Joseph Gordon-Levitt e Leonardo DiCaprio que também estão em 2 outros filmes desta lista.
  • Ilha do Medo (Shutter Island, 2010, Dir.: Martin Scorcese): Suspense impecável, com fotografia belíssima e uma reviravolta no final.
  • Anticristo (Antichrist, 2009, Dir.: Lars von Trier): Riqueza de simbologia com pitadas de sadismo para narrar a tentativa de um casal em superar a morte do filho.
  • Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (2010, Dir.: José Padilha): Uma sequência que conseguiu ser melhor do que o filme original. Filme brasileiro de ação de alta qualidade.

FLOP 7:

  • Do Começo ao Fim (2009, Dir.: Aluisio Abranches): Difícil saber o que é pior nessa tentativa de filme temático LGBT: o roteiro sem nexo? Atuações patéticas? Direção precária? Nonsense gratuito? O que Júlia Lemmertz faz perdida nesse fiasco?
  • Se Nada Mais Der Certo (2008, Dir.: José Eduardo Belmonte): Poderia ser melhor sem a narração inaudível e sofrível de Cauã Reymond e a tentativa de abraçar muitos temas ao mesmo tempo.
  • Atividade Paranormal 2 (Paranormal Activity 2, 2010, Dir.: Tod Williams): o primeiro já era ruim.
  • Carrie, A Estranha (Carrie, 2002, Dir.: David Carson): Filme feito para tv que assusta pela péssima qualidade.
  • Comer, Rezar, Amar (Eat Pray Love, 2010, Dir.: Ryan Murpy): Julia Roberts e Javier Bardem não foram suficientes para tornar a adaptação do livro famoso em um filme interessante.
  • Nosso Lar (2010, Dir.: Wagner de Assis): Muito dinheiro gasto em “efeitos especiais” e nenhum investido em bom gosto na direção de arte.
  • Nine (2009, Dir.: Rob Marshall): Se a melhor parte do filme é a participação de Fergie, como levar o resto a sério?

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John Waters – Parte 5

Hairspray – E Éramos Todos Jovens (Hairspray, 1988)

No começo da década de 60 a grande sensação da tv em Baltimore era o programa Corny Collins Dance Show. Fazer parte dos participantes/dançarinos era o sonho dos adolescentes, principalmente de Tracy Turnblad (Ricki Lake), a gordinha de cabelo armado à base de muito hairspray. Após ganhar um concurso de dança, Tracy é selecionada para integrar ao Corny Collins a princípio contra a vontade de sua mãe Edna (Divine, em seu último papel), até enchergar as possibilidades financeiras no sucesso da filha.

O sucesso de Tracy incomoda a mimada Amber von Tussle (Colleen Fitzpatrick), que com a ajuda dos pais Velma (Debbie Harry) e Franklin (Sonny Bono) procuram sabotar a gordinha preferida pelo público. Ao mesmo tempo, algo mais importante preocupa Tracy e seus amigos: segregação racial, participando de protestos a favor da integração em programas de tv.

Apesar de ter ganhado uma adaptação em musical da Broadway em 2002 e um filme musical em 2007, Hairspray não é um musical. O filme dançante de John Waters tem uma produção mais requintada, fugindo da estética trash de seus primeiros filmes. Entre os Dreamlanders originais, participam do filme Mary Vivian Pearce e Mink Stole, além de Divine, que faleceu antes do lançamento do filme.

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In Treatment

Episódios de 25 minutos que retratam uma sessão de terapia. Psicólogo e paciente sentados e conversando, sempre no mesmo ambiente, sem flashbacks, nenhuma dramatização dos assuntos abordados. Somente 25 minutos de conversa entre duas pessoas. A fórmula de In Treatment pode soar tediosa, mas a série produzida pelo canal HBO e adaptada da série israelense BeTipul, é um dos melhores e mais cativantes dramas da tv.

Com cinco episódios por semana, cada um dedicado a um paciente, In Treatment sempre encanta com diálogos fascinantes e interpretações impecáveis, tendo Gabriel Byrne – o psicólogo Paul Weston - como peça central. A série conta com a participação – premiada no Emmy de 2008 – de Dianne Wiest no papel de Gina, a psicóloga de Paul, e Michelle Forbes (True Blood, Lost) como esposa de Paul.

Entre os pacientes, na primeira temporada, vale a pena destacar a atuação de Mia Wasikowska (que deixou a desejar como a Alice de Tim Burton). A série também rendeu um Emmy para Glynn Turman em 2008, além do Globo de Ouro de 2009 para Gabriel Byrne.

Atualmente In Treatment está na 3ª temporada, sendo a primeira com roteiro original (BeTipul teve somente duas temporadas), e não tem previsão para ser exibida no Brasil.

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Dexter, o livro

“Francamente: se você não consegue entregar meu jornal na hora, como vai esperar que eu consiga não matar pessoas?”

Dexter, o adorável serial killer interpretado por Michael C. Hall na série produzida pelo canal Showtime é originalmente cria da imaginação do escritor americano Jeff Lindsay, surgido na 5ª obra do escritor – e primeiro livro da série -, Dexter: A mão esquerda de Deus foi lançado em 2008 no Brasil graças ao sucesso da série de tv.

Dexter: A mão esquerda de Deus, lançado nos EUA em 2004 como Darkly Dreaming Dexter, conta a história de perito criminal em análise de sangue, Dexter Morgan, que nas horas vagas é um serial killer especializado em matar outros serial killers e passa a acompanhar uma série de crimes do misterioso assassino do caminhão de gelo, ao mesmo tempo que nota uma possível comunicação desse novo assassino consigo.

Aos que já conhecem a série de tv, o livro pode ser uma boa surpresa: a narrativa é a mesma da primeira temporada, porém com algumas leves alterações em personagens secundários (o Angel Batista é quase um figurante no livro) e uma morte no final de um personagem que continuou vivo na série.

Mas o melhor motivo para ler o livro é a narração altamente irônica e ácida de Dexter, que lembra a maldade sem peso na consciência de Humbert Humbert em Lolita de Vladimir Nabokov, proporcionando uma leitura divertida e empolgante.

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